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A lancha que Ayrton Senna projetou e nunca pôde pilotar: a história da A.S. Atalanta

Conheça a A.S. Atalanta, a lancha de 41,7 pés que Ayrton Senna projetou com o estaleiro Fast e foi entregue em 30 de abril de 1994 — um dia antes de Imola.

EQ

Por Equipe Jet Life

Redação Jet Life · Especialistas em turismo náutico no Rio de Janeiro

04/05/2026

5 min de leitura · 986 palavras

Lancha Senna 50 navegando na Baía de Guanabara

Em 30 de abril de 1994, um sábado, a lancha A.S. Atalanta atracou pela primeira vez no píer da casa de Ayrton Senna, em Angra dos Reis. No dia seguinte, o tricampeão mundial de Fórmula 1 morreu em Imola, sem ter chegado a navegar a embarcação que ele mesmo ajudou a desenhar. Esta é uma das histórias mais comoventes da náutica brasileira — e também uma das menos conhecidas pelo grande público.

O projeto que começou em 1992

Ayrton Senna queria uma lancha sob medida para curtir o verão com a família em Angra dos Reis. O projeto começou em 1992, em parceria com o estaleiro Fast e com o renomado projetista norte-americano Tom Fexas, e foi batizado de Senna 417 — uma referência aos 41,7 pés (cerca de 12,7 metros) de comprimento da embarcação.

Por causa do calendário intenso da F1, Ayrton deixou a irmã Viviane Senna encarregada de acompanhar a obra de perto. Mesmo assim, o piloto participou ativamente das decisões: cores alegres (uma exigência sua), tecidos com estampas marítimas, linhas aerodinâmicas e desempenho acima da média. A decoração ficou a cargo da designer Ana Cláudia Moreno, especialista em projetos náuticos.

O nome veio da mitologia grega

O nome A.S. Atalanta foi escolhido pelo próprio Ayrton. As iniciais "A.S." são óbvias — Ayrton Senna. Já Atalanta vem da mitologia grega: uma guerreira veloz que só se casaria com um homem capaz de derrotá-la em uma corrida. Ninguém precisa explicar por que o nome fez sentido para o piloto mais rápido do mundo.

Um dia antes de Imola

A primeira unidade da Senna 417 ficou pronta em abril de 1994. Foi entregue no píer da casa de Senna em Angra dos Reis na manhã de 30 de abril de 1994 — exatamente um dia antes do GP de San Marino. No domingo seguinte, na sétima volta, Ayrton se chocou contra o muro de Tamburello pilotando sua Williams-Renault. Tinha 34 anos.

A lancha que ele havia sonhado por dois anos nunca foi pilotada por seu idealizador. A família planejava estrear a A.S. Atalanta nas férias do verão 1994/95.

O que aconteceu com a A.S. Atalanta?

Registrada em nome da Ayrton Senna Promoções e Empreendimentos Ltda., a A.S. Atalanta permaneceu com a família do piloto até 2005, quando foi vendida para Sergio Assunção, da Infláveis Náutika. Depois passou para o empresário Milton Minello, sócio do Iate Clube de Santos, que a navegou pela região do Guarujá.

Em 2016, foi adquirida por Wilson Ricardo Benatti, atual proprietário, fã declarado de Senna desde a infância. Wilson fez uma restauração caprichada (segundo entrevista à revista Náutica, gastou cerca de 50% do valor de compra na reforma), mantém um capacete homologado pelo Instituto Ayrton Senna em local de honra no salão principal e adicionou o icônico duplo "S" da marca Senna ao casco. A embarcação fica baseada na Marina Astúrias, em Guarujá, e não está disponível para aluguel — é peça de coleção particular.

Especificações técnicas da Senna 417

As outras Senna 417 que existem no Brasil

Com a morte de Ayrton, a parceria que o estaleiro Fast tinha com a Senna Promoções e Empreendimentos (tocada pelo irmão Leonardo Senna) para produzir o modelo em série foi abortada. Mas os moldes da Senna 417 foram adquiridos pela Cobra Náutica, que construiu mais quatro unidades baseadas no mesmo desenho. Essas embarcações ainda navegam por águas brasileiras — nenhuma com o valor histórico da A.S. Atalanta original, mas todas carregando a assinatura de um projeto que tinha o DNA do piloto mais rápido da história.

O legado de Senna no mar

Mais de 30 anos depois daquela manhã de domingo em Imola, a história da A.S. Atalanta segue tocando fãs do automobilismo e amantes da náutica. É o lembrete de que Ayrton Senna não era só um piloto: era um perfeccionista que queria participar de cada detalhe do que tinha o seu nome — inclusive uma lancha que sonhava em pilotar com a família em Angra dos Reis.

Curtindo Angra e o Rio em uma "Senna"

Embora a A.S. Atalanta original esteja fora do mercado de aluguel, é possível viver a experiência de navegar em uma lancha Senna pela Baía de Guanabara e arredores. A frota Jet Life conta com a Senna 50, uma lancha homônima de 50 pés com churrasqueira, área de sol, capacidade para 20 pessoas e equipada para passeios de 5 horas saindo da Marina da Glória.

É bom deixar claro: a Senna 50 da Jet Life é uma embarcação independente e não tem ligação com o piloto Ayrton Senna nem com a A.S. Atalanta original. O nome do modelo refere-se ao estaleiro construtor. Mas, para fãs do tricampeão que querem curtir o Rio em uma lancha que carrega o sobrenome mais célebre do automobilismo brasileiro, a coincidência é, no mínimo, simbólica.

Quer saber mais sobre a Senna 50 ou conferir outras opções da frota? Veja toda a frota Jet Life ou fale direto pelo WhatsApp.

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Fonte primária da história da A.S. Atalanta: revista Náutica — reportagem de Gilberto Ungaretti, abril/2020.

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